Movimento é Saúde: o papel do exercício na prevenção e tratamento das condições musculoesqueléticas

Fisioterapia em Aveiro

Movimento é Saúde: o papel do exercício na prevenção e tratamento das condições musculoesqueléticas

Yanina Alves, fisioterapeuta e coordenadora

Abril, foi o mês em que se celebrou o dia Mundial da Atividade Física e o Dia Mundial da Saúde, o que nos convida a refletir sobre dois pilares fundamentais da nossa qualidade de vida: a atividade física e a saúde. No entanto, apesar de sabermos que “mexer faz bem”, muitas vezes falta perceber quanto e como o exercício pode realmente influenciar a nossa saúde, em particular no que diz respeito às queixas musculoesqueléticas, como dores nas costas, nos joelhos ou nos ombros.

A evidência atual demonstra que níveis adequados de atividade física estão associados a uma redução significativa do risco de desenvolver dor crónica, lesões musculares e articulares, bem como a uma melhoria da função física ao longo da vida. Por outro lado, o sedentarismo tem sido consistentemente associado ao aumento de problemas como lombalgias, rigidez articular e perda de força muscular.

Mas afinal, quanto exercício precisamos?
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), para um adulto, é recomendado, um mínimo de 150 a 300 minutos de atividade física moderada por semana, como caminhar a bom ritmo, andar de bicicleta ou nadar, ou 75 a 150 minutos de atividade vigorosa, como corrida ou desportos mais intensos. A isto deve-se acrescentar treino de força, pelo menos duas vezes por semana, envolvendo os principais grupos musculares. Estas componentes são complementares. Enquanto a atividade aeróbica contribui para a saúde cardiovascular e metabólica, o treino de força tem um papel essencial na proteção das articulações, na manutenção da massa muscular e na prevenção da dor e incapacidade. Mesmo em pessoas com dor já instalada, o exercício adaptado é uma das intervenções mais eficazes para reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Do ponto de vista da fisioterapia, o exercício não é apenas uma recomendação para prevenção de lesões, sendo, cada vez mais, uma ferramenta terapêutica com forte suporte científico para tratamento de dor musculoesquelética. Programas de exercício adaptados permitem reduzir sintomas, melhorar a função e aumentar a qualidade de vida. É por isto que, normalmente, quando temos uma condição musculoesquelética, o repouso prolongado tende a não ajudar ou até mesmo a agravar o quadro. Importa também desmistificar a ideia de que só o exercício intenso “conta”. Atividades simples do dia a dia, como subir escadas, caminhar com maior intensidade e carregar compras, podem contribuir para atingir os níveis recomendados, desde que realizados com regularidade.

Outro aspeto essencial é a individualização. Nem todas as pessoas devem fazer o mesmo tipo de exercício, e é aqui que o fisioterapeuta assume também um papel fundamental: avaliar, orientar e ajustar o plano de atividade às necessidades, limitações e objetivos de cada indivíduo.

Num contexto em que as queixas musculoesqueléticas são uma das principais causas de dor e absentismo laboral, investir no movimento é investir na saúde e na autonomia. Assim, neste mês dedicado à atividade física e à saúde, o desafio é simples: começar.



Referências

Chen KK, Weng SC, Tseng CH, et al. Exercise-induced changes in central sensitization outcomes in individuals with chronic musculoskeletal pain: A systematic review and meta-analysis. Pain Medicine. 2024;25(4):e106–e118.

Organização Mundial da Saúde (2020). WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour