Prótese total do joelho – A última carta jogada no combate à osteoartrose do joelho

A osteoartrose é uma patologia caraterizada pelo desgaste articular observado com o avanço da idade. A rigidez matinal inferior a 30 minutos após o acordar, a dor, derrame e limitação da mobilidade, são os principais sintomas desta patologia. Em Portugal, observa-se que 12,4% da população sofre de osteoartrose do joelho, sendo mais prevalente no sexo feminino.
No tratamento da osteoartrose do joelho sugere-se a perda de peso e a prática de exercício físico. Estes dados são interessantes, visto que 85% dos pacientes submetidos a artroplastia total do joelho (prótese total do joelho) têm excesso de peso e um terço deles são sedentários. Deste modo, recomendo a quem tenha sido diagnosticado com osteoartrose do joelho, procurar ajuda numa nutricionista para controlar o peso corporal e depois realizar fisioterapia para controlo da sintomatologia e exposição gradual ao exercício. Este processo multidisciplinar deve ser sempre encabeçado por um médico ortopedista de forma a tornar a abordagem o mais completa possível, podendo inclusive prescrever medicação analgésica.
Se a articulação do joelho apresentar um desgaste severo e esta abordagem multidisciplinar falhar, pode-se então pensar na colocação de uma prótese total do joelho. Esta é a última cartada a jogar no combate à osteoartrose do joelho, mas que em nada retira a importância ao realizado anteriormente. A abordagem pré-cirúrgica permite controlar os fatores de risco e preparar o paciente para a cirurgia e respetivo autocuidado. Está cientificamente provado que a reabilitação realizada antes da artroplastia total do joelho diminui o tempo de internamento pós-operatório e aumenta a força muscular observada após a cirurgia.
A reabilitação deve começar no internamento, onde se irá proceder ao ensino do uso das canadianas no quotidiano e ao ensino dos exercícios a realizar em casa com foco na ativação muscular e extensão do joelho. Após alta médica do internamento, o paciente deve iniciar o tratamento de fisioterapia o mais breve possível, de modo a controlar a sintomatologia, os sinais inflamatórios, mobilizar e fortalecer todo o membro inferior.
Após o final do 1º mês, quando o paciente for capaz de caminhar sem canadianas e as suturas cirúrgicas estiverem fechadas, pode-se iniciar o trabalho de fisioterapia aquática como complemento ao processo de reabilitação, dado que o impacto do peso corporal sobre o organismo diminui de forma considerável, facilitando a execução de tarefas motoras. O processo de reabilitação é longo e baseado em critérios bem definidos, podendo demorar 3 a 6 meses. A alta clínica é dada quando o paciente não tiver queixas nem limitações no quotidiano e apresentar boas expressões de força nos membros inferiores. Após alta clínica, o paciente deve manter uma alimentação saudável de forma a controlar o peso e seguir as normas da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a prática de atividade física (150 a 300 minutos de atividade moderada por semana).
Sabias que:
– 12,4% Prevalência da osteoartrose do joelho em Portugal
– 4234 Próteses Totais do Joelho colocadas em Portugal em 2013
– 85% Das pessoas que colocam PTJ apresentam excesso de peso
– 33% Das pessoas que colocam PTJ são sedentárias
– 150-300 minutos por semana de atividade moderada recomendada pela OMS
Referências:
Huffman, K. F., Ambrose, K. R., Nelson, A. E., Allen, K. D., Golightly, Y. M., & Callahan, L. F. (2024). The Critical Role of Physical Activity and Weight Management in Knee and Hip Osteoarthritis: A Narrative Review. In Journal of Rheumatology (Vol. 51, Issue 3, pp. 224– 233). Journal of Rheumatology. https://doi.org/10.3899/jrheum.2023-0819
Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia. (2013). Relatorio Anual 2013. Registo Português de Artroplastias.
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Tânia Figueiredo Gomes de Oliveira, Helena Canhão, & Osvaldo Santos. (2019). Caracterização e avaliação da gestão da terapêutica da dor em doentes com osteoartrose do joelho em Portugal. Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.