Dor no punho? Abordagem da fisioterapia à Síndrome de Quervain.

Abordagem da fisioterapia à Síndrome de Quervain

Dor no punho? Abordagem da fisioterapia à Síndrome de Quervain.

Yanina Alves, fisioterapeuta e coordenadora

A Síndrome de De Quervain, também conhecida por Tenossinovite de Quervain, é um processo degenerativo e inflamatório da bainha que recobre os tendões responsáveis pelos movimentos de abdução (abertura) e extensão do polegar, na região do punho. Surge, normalmente, de forma insidiosa e pode causar dor e incapacidade funcional nos movimentos do punho, perto da base do polegar, e dificultar a execução de tarefas diárias, afetando progressivamente a qualidade de vida das pessoas.

Dor de punho. Fisioterapeuta em Aveiro, na Fisiomanual

Figura 1: Exemplo de movimento de alongamento para avaliação da Síndrome de Quervain

Esta condição tem uma incidência seis vezes superior nas mulheres, com um risco aumentado em idades entre os 30 e os 50 anos, e é frequentemente encontrada em pessoas que apresentam determinadas variações anatómicas no seu punho. Tem, também, uma grande incidência nas grávidas e nas recém-mamãs. Acredita-se que isto acontece devido a alterações fisiológicas no corpo da mulher durante a gravidez, potenciadas, posteriormente, no período pós- parto, pelos posicionamentos mantidos e repetitivos da mão durante os cuidadosao bebé (p.e. amamentação, segurar ao colo). Por outro lado, e ao contrário do que seria de esperar, a comunidade científica ainda não conseguiu provar que exista uma correlação direta entre as atividades laborais que impliquem movimentos repetitivos da mão com o aumento da incidência da síndrome de Quervain.

Quando surgem os sintomas, o tratamento conservador é a primeira linha de abordagem, com o fisioterapeuta a desempenhar um papel fundamental no diagnóstico precoce e no tratamento. A avaliação funcional inclui a análise da história clínica, a realização de testes específicos de mobilidade e a observação de padrões de movimento. Após o diagnóstico, o trabalho do fisioterapeuta passa por identificar a causa da inflamação, reeducar os padrões de movimento e, em conjunto com o paciente, desenvolver estratégias com o objetivo de reduzir a carga sobre os tendões, adaptando os movimentos no dia-a-dia.

É importante referir que, uma análise detalhada, tanto da anatomia do paciente como da sua postura e das atividades do dia-a-dia, é a chave para identificar os fatores de risco anatómicos e os padrões de movimento que possam estar a sobrecarregar as estruturas inflamadas. É possível assim, adaptar o tratamento às necessidades e especificidades de cada paciente. Para além disto, e em caso de presença de fatores de risco, o planeamento de rotinas de mobilidade diárias, permitirá prevenir o surgimento de sintomas com resultados muito satisfatórios.

Se tem algum sintoma ou fator de risco acima referido, procure ajuda de um profissional especializado da sua confiança!

Referências:

Cordella, Marco, et al. “Evidence for exercise therapy in patients with hand and wrist tendinopathy is limited: A systematic review.” Journal of Hand Therapy (2023).

Ramchandani J, Thakker A, Tharmaraja T. “Time to Reconsider Occupation Induced De Quervain’s Tenosynovitis: An Updated Review of Risk Factors” Orthop Rev (Pavia ) Jul 27;14(4) (2022).

Štuhec, Maša, and Renata Vauhnik. “Physiotherapy Approach for De Quervain Tenosynovitis During and After Pregnancy.” Proceedings of Socratic Lectures (2024).

Fonte da imagem: Direitos de autor AP/Bernat Armangue

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