
Fisioterapia ao Domicílio: quando e porquê fazer tratamento em casa?

A fisioterapia ao domicílio é um serviço especializado que permite aos utentes usufruírem de uma sessão de tratamento no conforto da sua casa. Na procura por tratamentos cada vez mais personalizados, individualizados e convenientes, esta modalidade tem vindo a ganhar algum destaque entre a população, especialmente para utentes com mobilidade reduzida ou que não tenham possibilidade de se deslocar a uma clínica. Torna-se especialmente vantajoso para utentes debilitados fisicamente ou acamados, idosos, pós-cirúrgicos recentes, utentes com comprometimento do sistema imunitário, ou simplesmente por uma questão de conveniência/ conforto por não implicar necessidade de deslocações, transporte e estacionamento.
Esta modalidade permite que o fisioterapeuta avalie a condição de saúde do utente e o ambienteem que está inserido e defina um plano de tratamento adaptado à sua individualidade e à do domicílio. A sessão em casa permite a observação do utente nas suas Atividades da Vida Diária (AVDs) e contexto familiar, que são dimensões essenciais no processo de reabilitação. De forma a tirar o máximo partido do ambiente doméstico, podem ser sugeridas alterações para melhorar a segurança e acessibilidade, como por exemplo a instalação de barras de apoio, ajuste de móveis e reorganização de espaços para facilitar a mobilidade e as AVDs. A integração da família na sessão permite, se necessário, o ensino de estratégias facilitadoras no cuidado diário ao utente e o ensino de exercícios para realizar entre sessões permitindo a continuidade do tratamento.
Os utentes geriátricos são a população-alvo em maior número a usufruir desta modalidade para minimizar as alterações de mobilidade, força e equilíbrio decorrentes da idade, mas existem algumas patologias onde a fisioterapia ao domicílio já é usada como primeira opção de reabilitação, como por exemplo nos casos de Acidente Vascular Cerebral (AVC), Doença de Parkinson, Alzheimer, Esclerose Múltipla, em que há limitações de mobilidade e/ou alterações cognitivas e, por isso, a deslocação à clínica/ hospital pode ser um fator de stress. Condições respiratórias em utentes debilitados com necessidade de isolamento e utentes com alterações do sistema imunitário também beneficiam desta modalidade uma vez que a exposição a agente infeciosos é mais reduzida. Em casos de fraturas, próteses e cirurgias recentes, a reabilitação pode ser iniciada no domicílio e, posteriormente, promove-se a integração do utente em contexto de clínica onde poderá tirar mais partido dos recursos necessários para a continuidade do tratamento.
É importante referir que cada situação deve ser avaliada de forma individualizada e a decisão de fazer fisioterapia ao domicílio deve ser tomada pelo utente e/ou familiares em conjunto com o fisioterapeuta, tendo em conta os recursos disponíveis e os necessários, a condição de saúde do utente, e as limitações práticas do ambiente domiciliar.
Referências:
Martínez, F. M., Farré, G. F., & Andreu, E. L. (2005). Rehabilitación Domiciliaria. Principios,indicaciones y programas terapéuticos. Elsevier Masson.